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Editorial – 06.05.2021

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Em mais um dia de depoimentos na CPI da Pandemia no Senado, ontem (05) foi a vez do ex-ministro da Saúde Nelson Teich falar aos parlamentares e trazer mais informações que comprometem a gestão do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento à Covid-19.

 

Talvez a mais importante delas diz respeito ao motivo que o levou a pedir sua exoneração do cargo de ministro apenas 29 dias depois da nomeação pelo ex-capitão. Teich relatou que deixou o governo em razão da falta de autonomia e citou divergências quanto à insistência no uso da cloroquina no tratamento para pacientes. O ex-ministro ressaltou que só indicaria o medicamento caso houvesse comprovação da sua eficácia.

 

Outra declaração do médico oncologista que chamou a atenção foi sua crítica à estratégia defendia pelo ex-capitão sobre a chamada imunidade de rebanho para a Covid-19, na qual uma quantidade significativa de pessoas se infectariam pelo vírus e passariam a ter anticorpos contra a doença. Teich avisou que essa tese é um erro e que imunidade você consegue por intermédio da vacina, algo que o presidente da República sempre se negou a adquirir.

 

Uma situação lamentável que se deu na sessão de ontem da Comissão Parlamentar de Inquérito foi mais uma tentativa dos senadores governistas de tumultuarem os trabalhos, contestando que as parlamentares que não fazem parte da CPI fizessem perguntas em meio à audiência. Após um intenso bate-boca, a sessão foi interrompida e retomada pouco tempo depois, com a palavra dada à senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

 

Houve um acordo entre os parlamentares pelas convocações do ex-secretário de Comunicação Social Fábio Wajngarten, do ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo e de representantes da farmacêutica Pfizer, do Instituto Butantan, da Fundação Osvaldo Cruz e da vacina Sputnik V. O ministro da Economia Paulo Guedes é outro que pode ser convocado para depor em breve.

 

Mas eu não queria me restringir apenas à CPI da Pandemia. Um outro tema de extrema relevância e que nós não temos comentado aqui no programa nos últimos tempos é justamente essa onda autoritária que volta a ganhar corpo na América, alcançando dessa vez El Salvador e Colômbia. O presidente salvadorenho Naybe Bukele, que assumiu o cargo em 2019 como um outsider e já havia tentado um golpe em fevereiro do ano passado, ao invadir a Assembleia Nacional alegando um chamado divino, destituiu toda a Corte Suprema, expurgando os juízes que atuaram contra seu governo, em uma decisão que fere a lógica da independência entre os Poderes.

 

Já na Colômbia, manifestantes foram às ruas protestar contra o projeto de Reforma Tributária proposto pelo governo de Iván Duque e as forças de segurança responderam com extrema violência, promovendo cenas poucas vezes vistas no país, com um banho de sangue, que já deixou, em dados preliminares e ainda desatualizados, pelo menos 21 mortos e mais de 500 feridos.

 

O professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa (IRID) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Eduardo Martins fez uma síntese, nas suas redes sociais, sobre o significado das ações de Iván Duque na Colômbia, a qual eu faço a leitura agora aqui para vocês. Diz o Carlos Eduardo:

 

A repressão do governo colombiano aos protestos populares está sendo conduzida por uma concepção neofascista de poder. Uribe, participante ativo da Cúpula Conservadora das Américas, e Duque, para além de suas vinculações históricas com o paramilitarismo e o extermínio de lideranças sociais, se inspiram em Alexis López Tapia, fundador de partido neonazi chileno e do conceito de revolução molecular dissipada, com que buscou estigmatizar os movimentos populares chilenos contra a privatização da previdência, educação, serviços públicos e persistência de uma constituição pinochetista.

 

A extrema-direita está atuante, regionalmente e mundialmente organizada, e buscando impor formas neofascistas de Estado à América Latina”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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