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Editorial – 13.04.2021

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Essa gravação divulgada pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) de um diálogo que teve com o presidente Jair Bolsonaro na noite do último sábado (10) surpreendeu um total de zero pessoas e apenas confirmou uma prática muito comum no Palácio do Planalto desde o início de 2019: o cometimento de crimes de responsabilidade. É mais um escândalo para a conta dessa figura que já faz hora extra no comando do país.

 

No áudio em que o ex-capitão articula a mudança do objeto da CPI da pandemia, que deve investigar a omissão do Governo Federal no combate à Covid-19, há uma evidente conspiração contra o livre exercício do Poder Judiciário, quando o chefe do Executivo e o senador combinam um pedido de abertura de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro diz: “Você tem de fazer do limão uma limonada. Tem de peticionar o Supremo para colocar em pauta o impeachment (de ministros) também”.

 

Para piorar, o presidente foi às redes sociais após a divulgação da conversa pedindo para que seus apoiadores se preparem, só não disse para quê. É mais uma das ameaças do bolsonarismo à ordem democrática que precisam de repúdio imediato das demais instituições do país. Nós vamos nos aprofundar nesse tema nos próximos dias aqui no programa, mas eu quero aproveitar para fazer a leitura da ótima coluna do doutor em sociologia Celso Rocha de Barros, publicada anteontem pelo jornal Folha de S. Paulo sob o título “CPI da Covid tem que ser início do julgamento de Nuremberg que bolsonarismo merece”.

 

O ministro Luís Roberto Barroso determinou que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, tome vergonha na cara e instaure a CPI que investigará os crimes de Bolsonaro durante a pandemia.

 

O requerimento para abertura da CPI é assinado por 32 senadores, 5 a mais do que o legalmente requerido. A CPI só não havia sido aberta ainda por mutreta, falcatrua e sacanagem.

 

O senador Pacheco alega que a instauração da CPI pode prejudicar a ação conjunta dos Poderes contra a pandemia. Ele está mentindo. Não há ninguém na esfera federal tomando qualquer providência contra a pandemia. Cerca de 80% das vacinas aplicadas no Brasil até agora são da Coronavac do Butantan (e de Doria).

 

O presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que não é “hora de apontar culpados”. Disse isso porque Bolsonaro, que é o culpado, concedeu a Lira e a seus aliados no centrão acesso a cargos e verbas da administração federal.

 

A hora de apontar culpados, se entendi bem, será quando esse dinheiro acabar. Talvez já não dê mais para evitar uma única morte brasileira.

 

Se vocês quiserem entender a diferença que instituições minimamente funcionais fazem, deem uma olhada no noticiário um dia antes da decisão de Barroso e um dia depois.

 

Um dia antes, a Câmara aprovou um projeto de lei que possibilita que vacinas sejam desviadas do SUS para empresários utilizando o Ministério da Saúde como laranja. Essa aliança de Chicago Boys inspirados em Milton Friedman com Chicago Boys inspirados em Al Capone só foi possível porque o bolsonarismo estava funcionando sem controle nenhum.

 

No dia seguinte à decisão de Barroso, o próprio Bolsonaro autorizou, pela primeira vez desde o início da pandemia, que o Ministério da Saúde promovesse campanhas pelo isolamento social e pelo uso de máscaras. Foi medo da CPI.

 

Agora calculem quantas vidas teriam sido salvas se a CPI tivesse sido instalada no ano passado. Se no começo da segunda onda Bolsonaro já tivesse medo de cair, se o medo de cair o tivesse feito comprar vacinas, defender o isolamento, distribuir máscaras. Teriam sido muitas dezenas, talvez centenas de milhares de brasileiros mortos a menos.

 

No sábado (10), cruzamos a marca de 350 mil mortos. Segundo as projeções, já temos pelo menos mais cem mil mortes contratadas, isto é, inevitáveis pela conjunção do ritmo de disseminação da doença com as políticas adotadas por Bolsonaro.

Cem mil brasileiros adicionais vão morrer com certeza de Covid-19. Já estão condenados, só não sabem disso ainda. Talvez um deles seja você, leitor. Talvez um deles seja eu.

 

Mas o risco de que morramos, além desses todos, mais outros 100, mais outros 200 mil, também é alto. Talvez derrubar e prender Bolsonaro não impeça essas mortes, mas manter Bolsonaro confortável no poder as garante.

Quem não trabalha para que Bolsonaro seja responsabilizado por seus crimes trabalha para matar 100, 200 mil brasileiros além dos que já morreram.

 

A CPI tem que ser o início do julgamento de Nuremberg que o bolsonarismo merece. Não haverá volta ao normal sem isso. Se deixarmos passar os crimes da pandemia, o que teremos direito de criticar nos próximos governos “normais”, seja lá quando for que eles voltem? Corrupção? Inflação alta? Seria falta de senso de ridículo”.

 

Ouça o comentário de Anderson Gomes:

 

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